Um ano, muitas festas.
A coincidência com o hebraico av, "pai", é apenas coincidência. A tradição adotou o costume de chamá-lo Menachém Av, "Av consolador", porque o luto do dia 9 desemboca nas sete semanas de consolo. O nome babilônico não aparece no Tanach. É o décimo primeiro mês do calendário hebraico atual, mas o quinto da contagem bíblica. Tem sempre 30 dias.
É o mês que cai e levanta em seis dias. A primeira metade desce até o chão de Tishá beÁv — o jejum maior de 25 horas pela destruição dos dois Templos e, na memória tradicional, por outras catástrofes da mesma data: o decreto contra a geração dos espiões, a queda de Betar, a expulsão da Espanha em 1492. Lê-se Eichá sentado no chão, à meia-luz. A segunda metade sobe pela dança de Tu beÁv (a Mishná diz que "não houve dias tão bons para Israel como o 15 de Av e Yom Kipúr"; hoje é o dia do amor em Israel) e pelas palavras de Yeshaiáhu no Shabat Nachamú, "consolai, consolai o meu povo", que abrem as sete haftarot de consolação até Rosh haShaná. "Quando entra Av, diminui-se a alegria" (Taanít 26b) — e a tradição diz que o Mashiach nasce em Tishá beÁv: do fundo da perda, o germe do consolo.
O movimento reformista teve historicamente relação ambivalente com a data (não se pranteia um Templo cuja restauração não se deseja), mas a ressignificou: dia de memória das catástrofes judaicas e de reflexão sobre suas causas — o Talmud culpa o sinat chinám, o ódio gratuito entre judeus.
Em Israel, o auge do calor: o mês mais quente do ano, seco, sem uma nuvem. No Brasil, cai entre julho e agosto, inverno e férias escolares.
Av começa com a morte do homem da paz, Aharón — o único yahrzeit que a Torá data com dia, mês e ano — e termina no mês da reconciliação, Elul: a arquitetura do calendário parece deliberada.
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