Parashá
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O ciclo de leitura da Torá para curiosos.
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Um ano, muitas festas.

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חֶשְׁוָן
Chesvan

Antes do exílio chamava-se Bul (I Melachím 6:38: "no mês de Bul, que é o oitavo mês, a casa foi terminada"), nome talvez ligado à chuva (mabúl, dilúvio) ou à colheita (yevúl). O nome babilônico chegou como Marcheshvan, e a explicação popular leu no "Mar" a palavra hebraica mar, "amargo": o mês amargo por não ter festas. Não é a etimologia, mas virou a poesia do mês.

É o segundo mês do calendário hebraico atual, mas o oitavo da contagem bíblica. Tem 29 ou 30 dias — junto com Kislev, é um dos "amortecedores" que esticam ou encolhem para que o Rosh haShaná seguinte caia no dia certo.

É o mês comum. Depois do turbilhão de Tishrei, a rotina: trabalho, escola, chuva. É quando se descobre se a inspiração das grandes festas sobrevive ao cotidiano — e a leitura liberal gosta dele justamente por isso: a santidade que Kedoshím pede mora nos dias sem festa. É o único mês sem nenhuma data litúrgica, nem festa, nem jejum, nem meia-festa. Um midrash (Yalkut Shimoni) diz que o mês "ficou ofendido" quando Shlomo terminou o Templo em Bul e esperou até Tishrei para inaugurá-lo, e que Deus prometeu compensá-lo: o Templo futuro seria inaugurado em Chesvan.

Em Israel, outono: as chuvas se instalam, os campos reverdecem, e em 7 de Chesvan a liturgia passa a pedir chuva explicitamente (veten tal umatar), data fixada para dar tempo de o último peregrino de Sucót voltar para casa sem se molhar. No Brasil, cai entre outubro e novembro: primavera.

Sem festas antigas, o mês ganhou datas modernas: o assassinato de Yitzchak Rabin (12) e a Kristallnacht (15–16). E ganhou uma festa que o judaísmo ashkenazita e sefaradita não conheciam: o Sigd, dos judeus da Etiópia (29), cinquenta dias depois de Yom Kipúr, com jejum, subida a um monte, leitura da Torá e renovação da aliança, à maneira de Nechemiá 8–9 — feriado nacional em Israel desde 2008, lembrete de que o calendário judaico tem mais de uma voz.

Nas parashiot lidas em Chesvan (Nóach, Lech Lechá, Vayerá, Chayei Sará), Avrahám e Sará começam a jornada. O mês sem festas é o mês em que se parte.

Aparece em
2. NóachI Melachím
Etimologia
Do acádico waraḫsamnu, literalmente "oitavo mês" (waraḫ, mês + samnu, oitavo). Ao passar para o hebraico, o w virou m e sobrou Marcheshvan.
Nome de origem acádia (babilônico-assíria).
Como em:NevuchadnetsárNevuzaradánBelshatsárMerodach-BaladánSancherivRavshakéMordecháiMezuzáAmrafélAryóchTidálTishreiKislevTevetShevatAdarNissanIyarSivanTamuzAvElul
Conexões
Na Torá e no Tanach
2. NóachBereshít 7:11 — as águas começam "no segundo mês, no dia 17": Chesvan, se o Dilúvio conta de Tishrei
I Melachím6:38 — Shlomo termina o Templo "no mês de Bul, que é o oitavo mês"
Eventos e episódios
MabúlSe o Dilúvio conta de Tishrei, começou em Chesvan (Bereshít 7:11)
Calendário
TishreiMês anterior
KislevMês seguinte
Assassinato de Itzhak RabinSéculo XX — 12 (4 de novembro de 1995)
KristallnachtSéculo XX — 15–16 (9–10 de novembro de 1938)
Estrutura
ChodashímUm dos doze meses do ano judaico
Trilhas de estudo
O caldeirão: o que veio dos vizinhos

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