Um ano, muitas festas.
Antes do exílio chamava-se Ziv, "esplendor, brilho" (I Melachím 6:1 e 6:37: "no mês de Ziv, que é o segundo mês", Shlomo começa a construir o Templo). O nome babilônico não aparece no Tanach, só na literatura rabínica. É o oitavo mês do calendário hebraico atual, mas o segundo da contagem bíblica. Tem sempre 29 dias.
É o mês da travessia. Iyar é inteiramente ocupado pela contagem do Ômer, entre a liberdade (Pêssach) e o propósito (Shavuót): um mês de caminhar, não de chegar. É também o mês do século XX por excelência — nenhum outro concentra tantas datas do Israel moderno, e a passagem abrupta do luto de Yom haZicarón para a festa de Yom haAtsmaút virou, ela própria, um ritual; as três datas foram acolhidas na liturgia liberal. A tradição lê o nome como acróstico de Aní Adonai Rofêcha, "Eu sou Adonai, que te cura" (Shemót 15:26), versículo dito logo depois da travessia do mar — e Iyar virou o "mês da cura".
Em Israel, a primavera plena caminhando para o verão: o calor chega, as chuvas terminam, sopra o chamsin, o vento quente do deserto, e os campos começam a dourar. No Brasil, cai entre abril e maio, outono: as fogueiras de Lag baÔmer combinam melhor com as noites frias daqui do que com o calor de lá.
Pêssach Shení, a segunda chance para quem não pôde celebrar Pêssach, é a única data da Torá criada a pedido do povo: pessoas impuras perguntam "por que seríamos excluídas?" — e a lei muda. Um precedente querido da leitura liberal. É o único mês cujo nome antigo significa luz e cujo nome babilônico significa flor.
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