Um ano, muitas festas.
Sem nome cananeu conhecido, Kislev chega ao Tanach já com o nome babilônico (Zecharyá 7:1, Nechemiá 1:1). É o terceiro mês do calendário hebraico atual, mas o nono da contagem bíblica. Tem 29 ou 30 dias.
É o mês da luz na escuridão. Chanucá cai perto do solstício, na semana mais escura do ano em Israel — e é para essa escuridão que a chanukiá foi pensada: uma vela a mais a cada noite, junto à janela, para que quem passa na rua veja. É a única festa que atravessa dois meses (de 25 de Kislev a 2 ou 3 de Tevet), de modo que Rosh Chódesh Tevet cai sempre dentro dela. E é a festa da diáspora por excelência: sua história se passa na terra de Israel, mas seus costumes — o sevivón, as sufganiot, o dinheiro de Chanucá — cresceram longe dela. Chanucá não está na Torá nem no Tanach: sua fonte histórica são os livros dos Macabeus, preservados fora do cânon judaico, e o Talmud, que preferiu contar o milagre do azeite à guerra.
Em Israel, o começo do inverno: dias curtos, frio, chuva e, nas montanhas, às vezes neve. No Brasil, cai entre novembro e dezembro, no fim da primavera e começo do verão. A festa das luzes brasileira acontece nos dias mais longos do ano — uma inversão que vale contar às crianças.
Kislev é conhecido como "o mês dos sonhos": as parashiot que costumam ser lidas nele (Vayetsé, Vayéshev, Mikéts) concentram quase todos os sonhos da Torá — a escada de Yaacóv, os feixes e as estrelas de Yosséf, o copeiro e o padeiro, as vacas de Paró.
Chagai 2:18 registra o alicerce do Segundo Templo lançado em 24 de Kislev, véspera da data que Chanucá consagraria séculos depois.
Kislev não é citado na Torá, apenas em outros livros do Tanach.
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