Um ano, muitas festas.
Antes do exílio chamava-se Aviv, "espiga verde" (a cevada que amadurece): é o único mês que a própria Torá chama por nome, e sempre em ligação com a saída do Egito — "hoje saís, no mês de Aviv" (15. Bo, Shemót 13:4). O nome babilônico aparece em Estér 3:7 e Nechemiá 2:1. É o sétimo mês do calendário hebraico atual, mas o primeiro da contagem bíblica — "o começo dos meses". Tem sempre 30 dias.
É o mês da liberdade e do começo. Em Nissan o tempo judaico nasce — a primeira mitsvá dada ao povo é marcar o calendário — e a história fundadora é reencenada à mesa, no sêder. "Em Nissan foram redimidos e em Nissan serão redimidos", diz o Talmud (Rosh haShaná 11a). O mês inteiro é considerado festivo: não se diz tachanún em Nissan, por causa das doze inaugurações do Mishcán, uma por tribo, de 1 a 12 de Nissan (35. Nassó). É também o mês em que a memória mais dura do século XX, Yom haShoá, foi deliberadamente encaixada entre a liberdade de Pêssach e a independência de Iyar: a Shoá lembrada dentro do mês da redenção, não fora dele.
Em Israel, a primavera: "as flores aparecem sobre a terra" (Shir haShirím 2:12, lido em Pêssach) — o aviv propriamente dito, a cevada verde que dá nome ao mês. No Brasil, cai entre março e abril, começo do outono: o sêder brasileiro acontece com as noites esfriando, e a salsinha da keará chega de uma estação que não é a do texto.
É o único mês com dois nomes vivos — Aviv na Torá, Nissan no restante — e o único cujo nome antigo virou nome de cidade moderna (Tel Aviv). A Birkat haChamá, a bênção do sol, recitada a cada 28 anos, cai sempre em Nissan; a próxima será em 2037.
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