Um ano, muitas festas.
Aparece com o nome babilônico em Zecharyá 1:7 ("no dia 24 do décimo primeiro mês, que é o mês de Shevat"), na noite das visões do profeta. É o quinto mês do calendário hebraico atual, mas o décimo primeiro da contagem bíblica. Tem sempre 30 dias.
É o mês da renovação silenciosa. Nada floresce em Shevat de forma visível, exceto a amendoeira (shkediá), branca e rosa antes de qualquer outra árvore — por isso ela virou o símbolo de Tu biShvát: a seiva que sobe antes de aparecer. A data nasceu como marco fiscal para os dízimos das frutas (e foi disputa: a escola de Shamai dizia 1 de Shevat, a de Hilel, 15; venceu Hilel, como quase sempre), e foi replantada pelos cabalistas (o sêder das quatro taças, do branco ao tinto), pelos pioneiros sionistas (o plantio) e pelo judaísmo liberal contemporâneo (o "dia da Terra" judaico). Poucas datas cresceram tanto a partir de tão pouco.
Em Israel, o fim do inverno: ainda chove, mas a amendoeira já está em flor. No Brasil, cai entre janeiro e fevereiro, no auge do verão: o "ano novo das árvores" brasileiro acontece com as árvores em plena folha, e muitas comunidades adaptam o sêder com frutas tropicais.
Shevat guarda a data mais precisa de toda a Torá para o início de um livro: Devarím, o longo discurso de despedida, começa em 1 de Shevat — o dia em que Moshé "começou a explicar esta Torá" (Devarím 1:5). A tradição do comentário nasce numa data. O Shabat Shirá, com o Cântico do Mar, costuma cair neste mês; nele, um costume ashkenazita alimenta os pássaros.
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