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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
É o nome de um deus. Dumuzi ou Tammuz era a divindade mesopotâmica da vegetação e dos rebanhos, cuja morte era chorada ritualmente todo ano, no começo do verão, quando a terra seca. O próprio Tanach registra o culto: Yechezkél, em visão, vê à porta norte do Templo "as mulheres sentadas, chorando por Tamúz" () — e se horroriza. Séculos depois, o nome do deus estava no calendário judaico, sem que ninguém mais se lembrasse de chorá-lo. É o único mês batizado com o nome de uma divindade estrangeira, e o único que um profeta bíblico condena explicitamente; a tradição, no fim, preferiu o nome à pureza. É o décimo mês do calendário hebraico atual, mas o quarto da contagem bíblica. Tem sempre 29 dias.
É o mês do calor e da brecha. Tamuz é quando algo se rompe sem ainda cair: a muralha aberta, mas o Templo de pé; as tábuas quebradas, mas o perdão por vir. O jejum de 17 de Tamuz abre as Três Semanas (bein hametsarím, "entre os apertos"), o período de luto crescente até Tishá beÁv. A tradição deu ao mês a figura do aviso — e três semanas para reagir. Nas comunidades liberais, a observância do jejum varia, mas o convite do período fica: examinar as brechas, nas cidades e em nós. A data do jejum mudou: no Primeiro Templo, a brecha foi em 9 de Tamuz (Yirmiáhu); no Segundo, em 17. Os sábios unificaram no 17, porque a segunda destruição doía mais perto.
Em Israel, o verão pleno: nenhuma chuva, o sol a pino, os dias mais longos do ano. No Brasil, cai entre junho e julho, inverno — o jejum longo e quente de lá é aqui um jejum de dia curto.
Tamuz não é citado na Torá, apenas em outros livros do Tanach.