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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
Antes do exílio chamava-se Etanim, "os perenes": o mês das fontes que ainda correm depois de todo o verão seco (: "no mês de Etanim, que é o sétimo mês", o povo se reúne para a dedicação do Templo de Shlomo).
É o primeiro mês do calendário hebraico atual, mas o sétimo da contagem bíblica. Tem sempre 30 dias. Tishrei é o único mês que a Torá numera como sétimo e a tradição trata como cabeça do ano.
É o mês mais cheio do ano: em três semanas tem-se o balanço da vida, o perdão, a cabana frágil e a dança com a Torá. Introspecção e alegria no mesmo mês, como se a tradição dissesse que uma não vale sem a outra.
Em Israel, é o "mês das férias": o fim do verão e a entrada do outono. O calor cede, o céu muda, e caem as primeiras chuvas (o yoré), esperadas com ansiedade depois de seis meses secos. Por isso, em Shemini Atséret começa-se a pedir chuva na reza (Tefilat Guéshem). Já no Brasil, cai na primavera, entre setembro e outubro (coincidentemente o início suave das chuvas). Os Yamím Noraím brasileiros chegam com o ipê florido.
Neste mês cheio tem-se Rosh haShaná (1–2), Tsom Guedaliá (3), Shabat Shuvá, Yom Kipúr (10), Sucót (15–21), Hoshaná Rabá (21), Shemini Atséret (22) e Simchát Torá (22 em Israel e nas comunidades reformistas, 23 na diáspora tradicional).
Rosh haShaná nunca cai em domingo, quarta ou sexta-feira (regra lo ADU rosh): para que Yom Kipúr não caia ao lado do Shabat e para que Hoshaná Rabá não caia em Shabat. É essa regra que faz Chesvan e Kislev encolherem ou esticarem.
A Mishná chama Rosh haShaná de "o dia do julgamento" e Yom Kipúr de "Shabat dos Shabats" — mas o mês termina com a festa mais alegre, Simchát Torá. Tishrei começa para dentro e termina para fora.
Yom Kipúr é o dia de maior presença nas sinagogas liberais do mundo: mesmo quem duvida de tudo reconhece o valor de um dia inteiro para uma única pergunta.