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Parashá

O ciclo do ano

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As 54 parashiot, livro a livro

Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.

Calendário

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Sincronização calendárica
Os meses hebraicos e os civis lado a lado, com as parashiot e as festas
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Ciclo da Parashá – —
as 54 parashiot · em destaque, o mês acima
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Água

A água tem uma biografia na Torá. Ela nasce como caos primordial, torna-se criação quando Deus a organiza, transforma-se em destruição no dilúvio, preserva a sobrevivência na arca e no cesto de Moshé, torna-se lugar de encontro nos poços dos patriarcas, caminho de libertação no Mar dos Juncos, fonte de sustento no deserto, instrumento de purificação em leis e rituais, e culmina como sinal de bênção na terra prometida, irrigada pelas chuvas. Ao longo da Torá, a água nunca é apenas um elemento natural: ela acompanha a história do povo e muda de significado à medida que a própria relação entre Deus, Israel e a vida se transforma.

Na Torá:1. Bereshít2. Nóach3. Lech Lechá4. Vayerá5. Chayei Sará6. Toldót7. Vayetsé13. Shemót14. Vaerá16. Beshalách28. Metsorá35. Nassó39. Chucát46. Ékev
Percurso
11. BereshítAs águas primordiais e o sopro que paira sobre elas; separar as águas de cima e de baixo é o primeiro ato de ordem (1:2–10)
2Jardim do ÉdenUm rio sai do jardim e se divide em quatro: a água como fonte da vida e das civilizações (2:10–14)
32. NóachAs comportas se abrem e a criação é desfeita — até as águas recuarem e o arco surgir no céu
4DilúvioA mesma água que criou pode descriar: o dilúvio é o cosmos voltando ao caos
53. Lech LecháO anjo encontra Hagár junto a uma fonte, no caminho de Shur (16:7)
6HagárBe'ér Lachái Roí, "o poço do Vivente que me vê" (16:14) — quem foi vista, vê
74. VayeráExpulsa, sem água, Hagár tem os olhos abertos por Deus e vê um poço (21:19): água é sobrevivência
85. Chayei SaráRivká dá de beber ao servo e aos camelos: hospitalidade como sinal de quem ela é (24:11–20)
9RivkáA primeira das três cenas de noivado junto ao poço
10PoçoNa Torá, o poço é quase um gênero literário — e três vezes o cenário de um noivado
116. ToldótYitschák cava, perde, cava de novo: Éssek e Sitná são disputa; Rechovót, enfim, é espaço para todos (26:18–22)
12YitschákO patriarca cavador: água como território, conflito e coexistência
137. VayetséYaacóv rola sozinho a pedra da boca do poço e chora ao ver Rachél (29:2–10)
1413. ShemótO Nilo vira sentença de morte — e é dele que a filha de Paró retira o menino (1:22; 2:3–10); Moshé no poço de Midián (2:15–21)
15YochévedEntrega o filho ao rio dentro de uma tevá: a água que mata é a mesma que salva
16MiriámVigia o cesto de longe; e a tradição diz que um poço a acompanhou pelo deserto enquanto ela viveu
17MoshéTirado das águas e por elas nomeado: salvo do Nilo num cesto quando bebê, é a água de Merivá que, no fim, lhe barra a entrada na terra. Do primeiro ao último ato, a água o define
18TsiporáMoshé defende as filhas de Yitró junto ao poço de Midián e ali encontra sua casa
1914. VaeráO Nilo se torna sangue (7:17–21): a água como julgamento sobre o império que a divinizava
20As Dez PragasA primeira praga atinge exatamente aquilo que o Egito adorava e de que dependia
2116. BeshaláchO mar se abre e se fecha (14:21–31); adiante, as águas amargas de Mará ficam doces (15:22–27)
22A Travessia do Mar dos JuncosAtravessar em seco: o chão que aparece onde só havia afogamento
23Shirát haYámDo outro lado, a primeira reação coletiva à liberdade é um canto — e Miriám toma o tamborim
24MaráAs águas amargas que se tornam doces: a primeira crise do deserto
2528. MetsoráÁguas vivas para purificar (14:5–6; 15:13)
26MicvêÁguas vivas para atravessar de um estado a outro; hoje reapropriadas para transições e cura
27ImersãoA imersão que não lava o corpo: renasce-se ao emergir
2835. NassóAs águas amargas da prova da mulher suspeita (5:17–24)
29A mulher suspeitaO rito abolido pelos sábios: por um tempo, a água foi convocada a dizer a verdade
3039. ChucátAs águas de purificação da novilha vermelha (19:9; 19:17–19); sem água, o povo reclama e Moshé golpeia a rocha (20:1–13)
31Vaca VermelhaAs águas lustrais da novilha vermelha, o mais enigmático dos ritos de pureza
32Águas da Contenda (de Meribá)As águas da contenda: falar à pedra ou bater nela — e o preço de não entrar na terra
3346. ÉkevAo contrário do Egito e seu rio, Kenáan bebe da chuva do céu: depender do alto é parte da aliança (11:10–12)