Projeto Parashá
Projeto Parashá
O ciclo de leitura da Torá para curiosos.

Sobre o Projeto Parashá

Este projeto é um companheiro de estudo da Torá, em português brasileiro, feito para todo tipo de curioso: pessoas que querem entender o texto, discutir com ele e passear por temas que se repetem e se desenrolam ao longo das parashiot.

O Projeto Parashá põe lado a lado temas que o calendário das parashiot às vezes deixa a semanas de distância. O poço, que aparece em várias delas. A esterilidade das mulheres. O riso. O assassinato. Os irmãos rivais. As esposas-irmãs. A água. A vida.

Aqui você pode estudar a parashá de cada semana relacionando-a às outras pelo conceito que quiser.

A semana é a parashá

A sequência das 54 parashiot da Torá se repete pelo tempo e pelos anos e é, assim, uma unidade de tempo própria. Seu ciclo é tão importante para a alma judaica quanto o ciclo do ano.

Não se trata da parashá da semana, e sim da semana que está na parashá. A parashá é a unidade de tempo, porque quem se dedica a este estudo não a lê só aos sábados: devaneia com ela durante a semana inteira.

O Ministério da Saúde adverte: o estudo da parashá pode causar dependência.

Etimologia e algumas fontes

Tentou-se preservar, para o leitor brasileiro, o sentido do hebraico, trazendo a raiz dos termos em cada verbete. Assim como se tentou preservar uma visão judaica liberal.

Este projeto bebe também do Chumash Plaut, o comentário que muitas sinagogas liberais usam no estudo semanal. Esse Chumash, editado no Brasil pela União do Judaísmo Reformista (UJR), põe a Torá em diálogo com o pensamento contemporâneo, a história, a arqueologia e a literatura do antigo Oriente Médio.

Um projeto independente

O Projeto Parashá não é escrito por nenhuma autoridade judaica e não substitui o estudo com rabinos, morot, morim e com a sua comunidade.

É um projeto independente, que depende de uma mãozinha de quem lê.

Se quiser ajudar, colabore com a revisão, apontando um erro, indicando uma fonte melhor ou uma leitura que falta. Você pode contribuir com a revisão de um pequeno ponto ou de textos inteiros.

Afinal, se você estuda a parashá, você também é parte dessa história.

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Um verbete ou um tema. Em português, transliterado ou hebraico.

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Índice

Os verbetes, por seção.

Roteiros de estudo

Percursos pelo que se repete, parashá a parashá.

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Caldeirão cultural

Em Bereshít, a criação conversa com os mitos da Babilônia — e responde com um só Deus; em Nóach, o dilúvio que a Mesopotâmia também contava é reescrito com ética. Esse tema tempera toda a história judaica: nomes babilônicos, pães germânicos, melodias árabes e ibéricas — absorver e ressignificar não é impureza da tradição, é o método dela.

A tradição judaica, desde o Sinai, atravessou a Babilônia, a Pérsia, a Grécia, Roma, o mundo árabe, a Ibéria, a Polônia e a Etiópia — e de cada parada trouxe algo para si. Da Babilônia, tirou os meses do calendário e nomes como Estér (Ishtar) e Mordechái (Marduk). Do Egito, possivelmente o nome Moshé, cuja raiz significa "filho de", como em Ra-msés (filho de Rá). Dos impérios, o aramaico, língua da Ketubá e do Kadísh. Do Symposium grego-romano — festa de banquete, vinho e debates — veio parte do formato do Sêder de Pêssach. Afikoman: uma palavra grega dentro da Mishná.

Dois dos símbolos atuais mais fortes do judaísmo, a chalá e o Maguén David, também têm origens nas culturas em que os judeus se instalaram. O traje chassídico é o vestuário europeu do século XVIII, congelado no tempo e ressignificado. Nos brinquedos: o sevivón é um pião de apostas alemão cujas letras ganharam um milagre.

Na sonoridade nota-se também a presença da musicalidade local: o nussách ashkenazi bebe dos modos da Europa Central; os romances em ladino são baladas ibéricas medievais que os sefaradim carregam há cinco séculos; os judeus do mundo árabe rezam sobre os maqamat — o sistema modal árabe, com um maqam para cada Shabat; os Beta Israel da Etiópia rezam em ge'ez com a sonoridade de sua terra; e a grande poesia litúrgica de Sefarad adotou a métrica da poesia árabe.

A arte visual conta a mesma história desde o início: nos afrescos de Dura Europos, no século III, Moshé veste o himation helenístico.

O hebraico moderno tem um termo para caldeirão de fusão, kur hitúch — mas o processo é tão velho quanto o povo.

Na Torá:1. Bereshít2. NóachVer no ano
Percurso
11. BereshítSete dias ordenados contra o caos dos mitos vizinhos: a resposta começa na primeira linha
22. NóachO dilúvio de Gilgamesh, recontado: não capricho dos deuses, mas juízo e aliança
3ElAté o nome de Deus: do panteão cananeu para dentro de Isra-El
4ChodashímDoze nomes babilônicos — e Tamúz é um deus da Mesopotâmia
5EstérIshtar e Marduk nos nomes; Hadassá na meguilá
6CadíshA prece mais dita é em aramaico: a língua dos impérios
7SêderO simpósio grego virou a noite da liberdade
8AfikomanA palavra grega que a Mishná guardou
9ChaláA trança germânica que lembra o man do deserto
10SevivónNichts, Ganz, Halb, Stell — e nasceu um milagre
11Maguén DavidO hexagrama de todos, ressignificado em Praga
12LadinoA Espanha que os expulsos levaram na boca
13ÍdicheMil anos de fusão: a mame-loshn
14KlezmerViolinos judeus e ciganos nas mesmas festas
15NigunímA canção do pastor e a marcha de Napoleão, elevadas a prece
16NussáchO Shemá em quatro paisagens sonoras: Europa, Ibéria, maqamat, ge'ez
17Visual MidrashE na arte, desde Dura Europos: Moshé de himation grego
18TamuzO único mês com nome de deus pagão — e o único que um profeta condena
19Chesvan"Oitavo mês" em acádico: um nome que é só um número, e virou "amargo" na poesia popular
20Torá com FritasIndicação de leitura do podcast