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Parashá

O ciclo do ano

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As 54 parashiot, livro a livro

Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.

Calendário

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Sincronização calendárica
Os meses hebraicos e os civis lado a lado, com as parashiot e as festas
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Ciclo da Parashá – —
as 54 parashiot · em destaque, o mês acima
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Hospitalidade

A hospitalidade atravessa a Torá como uma ética da acolhida. Ela começa no Éden, quando Deus prepara um jardim para o ser humano; preserva a vida na arca de Nóach; torna-se virtude exemplar na tenda de Avrahám e revela o caráter de Rivká junto ao poço. Também pode ser corrompida, como na hospitalidade exploradora de Laván, ou negada, como no ataque de Amalék aos vulneráveis. Entre esses extremos, Yosséf acolhe os irmãos, Yitró recebe Moshé como estrangeiro, e Deus hospeda Israel no deserto com água e man. Ao final, a experiência de ter sido aquele que chegou de fora transforma-se em mandamento: amar o estrangeiro, cuidar do pobre e deixar espaço à mesa para quem chega.

Na Torá:1. Bereshít2. Nóach4. Vayerá5. Chayei Sará7. Vayetsé11. Vayigásh13. Shemót16. Beshalách18. Mishpatím30. Kedoshím46. Ékev47. Reé49. Ki Tetsé
Percurso
A acolhida nas histórias
11. BereshítDeus prepara um jardim antes de nele colocar o ser humano: a primeira hospitalidade (2:8–15)
2Jardim do ÉdenUm lugar pronto para receber quem ainda não chegou
32. NóachA arca acolhe a vida enquanto o mundo se desfaz lá fora (6:19–21; 7:13–16)
44. VayeráAvrahám corre ao encontro de três desconhecidos no calor do dia (18:1–8); Lot recebe os mensageiros em Sdom (19:1–11)
5AvrahámA tenda aberta dos quatro lados: a hospitalidade como virtude fundadora
6LotProtege seus hóspedes em Sdom, mostrando o valor absoluto da acolhida — ainda que por meios moralmente problemáticos
7Sodoma e GomorraA cidade cujo crime, dizem os profetas, foi fechar a porta ao faminto e ao forasteiro
85. Chayei SaráRivká oferece água ao servo e aos camelos, e a casa de Laván recebe o hóspede (24:14–33)
9RivkáEscolhida não por beleza ou linhagem, mas pelo gesto de dar de beber
107. VayetséLaván acolhe Yaacóv como parente (29:13–14) — e o mantém vinte anos como mão de obra
11LavánA hospitalidade corrompida: receber para explorar
1211. VayigáshYosséf se revela e acomoda os irmãos em Goshén, apesar de tudo o que fizeram (45:9–47:12)
13YosséfAcolher quem um dia nos expulsou
1413. ShemótFugitivo em Midián, Moshé é convidado para a mesa: "chamai-o para que coma pão" (2:16–22)
15YitróRecebe o estrangeiro e lhe dá abrigo, trabalho e família
16Guershóm"Fui estrangeiro em terra estranha" — Moshé dá ao filho o nome da própria condição
1716. BeshaláchNo deserto, quem hospeda é Deus: água e um pão que cai do céu a cada dia (16); e Amalék ataca (17:8–16)
18O que é isso? (Maná)Sustento diário e igual para todos: ninguém colhe mais do que precisa
19AmalequeAtaca os que ficaram para trás: o oposto exato da hospitalidade
A acolhida vira lei
2018. Mishpatím"Não oprimirás o estrangeiro, pois conheceis a alma do estrangeiro" (22:20; 23:9)
21EstrangeiroO estrangeiro residente: a figura mais protegida da legislação da Torá
2230. KedoshímDeixar os cantos do campo e as respigas para a pessoa pobre e para quem vem de fora; amar o estrangeiro (19:9–10; 19:33–34)
2346. ÉkevDeus "ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa" — e vós amareis o estrangeiro (10:18–19)
24Amor ao EstrangeiroA memória vira mandamento: amar quem chega, porque também chegamos um dia
2547. ReéÀ mesa da festa devem sentar o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva (16:11; 16:14)
2649. Ki TetséLembrar o que Amalék fez — e não esquecer quem fica na retaguarda (25:17–19)
27Moabe"Porque não vos receberam com pão e água no caminho" (Devarím 23:5): a hospitalidade negada também vira lei
Roteiros vizinhos
28Estrangeiros: um povo migranteQuem chega