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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
Em Yitró, um estrangeiro ensina Moshé a delegar; em Behaalotchá, o espírito repousa sobre setenta — e sobre dois a mais; em Pinchás, a sucessão se faz em público. Esse tema se multiplica ao longo da Torá, que desconfia do líder único: o poder que não se divide adoece.
Da raiz n-h-g (נ־ה־ג), ligada à liderança e àquilo que é costume ou tradição. A Torá é um longo tratado sobre liderança, pelos exemplos e pelos tropeços. Moshé, o líder relutante ("quem sou eu?") e sobrecarregado, aprende com Yitró a delegar. Compartilha o espírito com setenta anciãos e sonha alto: "quem dera todo o povo fosse profeta". Yehudá cresce assumindo responsabilidade; Yehoshúa é preparado em público, com transmissão explícita. Quem sabe até, de alguma forma, Essáv — um homem emotivo e fisicamente forte, que fica junto aos pais e angaria um numeroso exército.
Os contra-exemplos também ensinam: Paró e sua rigidez, Córach e sua ambição disfarçada de igualitarismo.
Mas, no fim das contas, o modelo que emerge é o do líder-servidor. "O mais humilde dos homens", que intercede pelo povo mesmo quando o povo o exaspera, e que morre sem entrar na terra. Liderança, na Torá, é semear o que outros colherão.