Um ano, muitas festas.
O humano é formado do afár da adamá e ao afár retorna (Gn 2:7; 3:19) — a frase que a tradição repete em cada sepultamento.
Mas o pó não é só finitude. É também a imagem da promessa a Avrahám: descendência como o pó da terra, incontável (Gn 13:16). E é o vocabulário da humildade diante do imenso: "eu, que sou pó e cinza", diz Avrahám ao discutir com Deus por Sdom — e ele diz isso justamente enquanto ousa discutir.
Na leitura liberal, o afár não humilha: relativiza. Quem se sabe pó tem menos motivo para tratar o mundo como propriedade.
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