Um ano, muitas festas.
O relato mais vertiginoso da Torá: Deus pede a Avrahám que ofereça em sacrifício seu filho, "teu único, que amas". Pai e filho caminham em silêncio, o altar é erguido, a mão se levanta — e um anjo interrompe: "não estendas tua mão contra o jovem". Um carneiro substitui o menino, e a tradição ouviria para sempre o eco desse chifre no shofar de Rosh haShaná, quando a Akedá é lida.
Nenhum texto gerou mais interpretações. Prova de fé? Protesto embutido contra o sacrifício humano, prática real do mundo antigo que a Torá vem abolir? Fracasso de Avrahám, que discutiu por Sdom mas silenciou pelo próprio filho? A leitura liberal acolhe todas as perguntas — e nota que, depois do monte, a Torá nunca mais registra Deus falando com Avrahám, nem Avrahám falando com Yitschák.
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