Um ano, muitas festas.
"Bendito" — a palavra que abre toda bênção: Baruch Atá Adonai, "Bendito és Tu, Adonai". Gerou uma pergunta que os comentaristas saboreiam há séculos: como pode o ser humano "abençoar" a Fonte de todas as bênçãos? Uma resposta amada: baruch não declara que damos algo a Deus, mas reconhece que Deus é a fonte de onde a bênção jorra — como se disséssemos "Bendito", e o mundo respondesse "de onde tudo vem". E há a intimidade gramatical: Atá, "Tu" — a fórmula fala com Deus na segunda pessoa, de perto, antes de passar à terceira: reverência que não abre mão da proximidade.
As primeiras bênçãos da Torá saem de bocas humanas: Nóach bendiz, e Malki-Tsédek, o rei-sacerdote de Shalém, abençoa Avrahám com pão e vinho — "Baruch Avram leEl Elyón". A palavra também virou nome próprio: Baruch ben Neriá foi o escriba fiel de Yirmiáhu, que registrou as profecias que o rei queimava. Do "baruch" da liturgia ao Baruch da história, a mesma raiz — a bênção como assinatura judaica diante da existência.
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