Calendário de leitura
O que você quer encontrar na Parashá da Semana?
Verbetes para todo tipo de curioso.
Percursos pelo que se repete, parashá a parashá.
Todos os roteiros ›Seleção de temas
Compare até cinco temas ao mesmo tempo.
Navegação
Pela barra dos livros ou da roda. Toque numa seção narrativa, capítulo ou versículo para abrir o texto na Sefaria.
Filtragem de personagem
Veja quando um personagem age, quando é citado ou quando seu nome representa um grupo.
Diálogos
Compare personagens entre si: quem fala mais, quem ouve mais, quem tem falas pontuais, quem faz discursos.
Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
A palavra be'ér, poço, aparece dezenas de vezes na Torá — algo em torno de trinta ocorrências, muitas delas em nomes de lugar (Be'ér Shéva, Be'ér Lachái Roí). Mais que geografia, o poço é um dos motivos-assinatura da narrativa: no deserto, onde a água é vida, ele é o ponto de encontro por excelência.
Três vezes a Torá repete de propósito a mesma cena: o noivado no poço. Em Chayei Sará, o servo de Avrahám reconhece Rivká porque ela dá de beber a ele e aos camelos. Em Vayetsé, Yaacóv encontra Rachél e, sozinho, rola a pedra da boca do poço. Em Shemót, Moshé defende as filhas de Yitró e conhece Tsiporá. O rapaz chega de longe, a moça tira água, e ali nasce uma aliança — e cada variação revela quem é cada personagem.
Mas o poço faz mais na Torá. É onde um anjo encontra Hagár e lhe mostra a fonte que salva Yishmaél — o Be'ér Lachái Roí, "o poço do Vivente que me vê". É objeto de disputa e depois de pacto entre Avrahám e Avimélech, em Be'ér Shéva. É a obra-prima de Yitschák, o cavador que reabre os poços do pai e escava até achar a paz (Rechovót). E, em Chucát, o povo canta ao poço — "Sobe, ó poço!" —, que a tradição associa ao poço de Miriám, a fonte que teria acompanhado Israel pelo deserto enquanto ela viveu.