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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
A bênção é a menor unidade da espiritualidade judaica. É dita sobre o pão, o vinho, uma fruta, um trovão, um arco-íris, um reencontro, uma notícia. A tradição aspira a cem brachot por dia: cem interrupções do automatismo, cem momentos de atenção.
Cada brachá pode ser compreendida como uma oportunidade de se maravilhar com o mundo. Ao pronunciar uma bênção, a pessoa interrompe por um instante o fluxo habitual da vida e se permite perceber aquilo que está diante dela como algo que, embora cotidiano, não é banal. O pão, a fruta, o vinho, o som do trovão ou o reencontro deixam de ser apenas acontecimentos ou objetos familiares e tornam-se ocasiões para reconhecer a extraordinária complexidade e beleza da existência.
Alguns aproximam a palavra brachá de bérech, "joelho". Ainda que a relação etimológica seja discutida, sob essa perspectiva, ao abençoarmos Deus ("Baruch Atá Adonai"), estamos metaforicamente dobrando os joelhos — e assim nos inclinando em reverência.
E, dado que Deus é o fundamento de toda a existência, fazer a brachá sobre o fruto da videira antes de tomar um vinho é reconhecer que é extraordinário que exista a uva, a terra, a chuva, o trabalho humano, o tempo — Deus por trás de todas as coisas que tornaram possível o momento de beber o vinho.
Essa atitude aproxima-se do que Abraham Joshua Heschel chamou de assombro radical (radical amazement): a capacidade de perceber o extraordinário.
A brachá é, portanto, um exercício cotidiano desse assombro, o convite a olhar de novo para o pão, o vinho, uma fruta ou uma paisagem, não como objetos banais, mas como manifestações que despertam reverência pela maravilha da existência de Deus.
As brachot podem ser agrupadas, de modo geral, em três grandes categorias.
São recitadas antes da realização de determinados mitsvot (preceitos positivos). Sua fórmula inclui o reconhecimento de que Deus santificou o povo de Israel por meio de Seus mandamentos. Sua forma é:
Hebraico: בָּרוּךְ אַתָּה ה׳ אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם, אֲשֶׁר קִדְּשָׁנוּ בְּמִצְוֹתָיו וְצִוָּנוּ...
Transliterado: Baruch Atá Adonai, Elohêinu Mélech haOlám, asher kidshánu bemitsvotáv vetsivánu...
Tradução: "Bendito és Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste..."
A fórmula é seguida pela mitsvá que será realizada, como colocar tefilín, vestir talit, colocar mezuzá, acender as velas de Shabat ou ouvir o shofár.
São recitadas antes de usufruir determinados alimentos, bebidas ou aromas. Diferentemente das bênçãos sobre mitsvot, não incluem a expressão asher kidshánu bemitsvotáv vetsivánu, pois o ato de comer, beber ou sentir um aroma não é, por si só, uma mitsvá. Sua fórmula básica é:
Hebraico: בָּרוּךְ אַתָּה ה׳ אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם...
Transliteração: Baruch Atá Adonai, Elohêinu Mélech haOlám...
Tradução: "Bendito és Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo..."
A fórmula é completada de acordo com aquilo que será consumido ou percebido. Por exemplo: Borê peri hagáfen ("que cria o fruto da videira"). Assim, antes de beber vinho ou suco de uva, reconhece-se Deus por trás da uva.
São bênçãos pronunciadas diante de acontecimentos, experiências ou percepções significativas da vida. Podem expressar alegria e gratidão, mas também reconhecimento diante de acontecimentos difíceis.