Um ano, muitas festas.
Quem reza a oração central do judaísmo, reza até hoje do jeito de Chaná. Estéril e humilhada, ela sobe ao santuário de Shiló e reza como ninguém rezara antes: em pé e em silêncio. "Falava em seu coração; apenas seus lábios se moviam, e sua voz não se ouvia". O sacerdote Eli a julga embriagada — e recebe uma das respostas mais dignas do Tanach: "não, meu senhor: sou uma mulher de espírito atribulado... derramo minha alma diante de Adonai". Os rabinos a transformaram em modelo, derivando dela as leis da Amidá: rezar com o coração, articular com os lábios, sem elevar a voz.
Atendida, nomeia o filho como Shmuél, "porque de Adonai o pedi" — e cumpre o voto de entregá-lo ao santuário. É a haftará do primeiro dia de Rosh haShaná: o ano judaico abre com a prece de uma mulher que um homem religioso não soube reconhecer. Seu nome vem de chen, "graça" — e atravessou as línguas do mundo como Hannah e Ana.
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