Um ano, muitas festas.
A menor e mais antiga palavra para Deus — e o exemplo mais profundo do caldeirão cultural: El era o nome do deus supremo do panteão cananeu, o ancião criador que os textos de Ugarit (século XIII AEC) descrevem em detalhe. As tradições de Israel absorveram a palavra, seus títulos e sua dignidade — e os fundiram com o Deus da aliança. A própria Torá guarda a costura à vista: Malki-Tsédek, rei-sacerdote cananeu de Shalém, abençoa Avrahám em nome de "El Elyón, criador dos céus e da terra" — e Avrahám responde jurando por "Adonai, El Elyón": a identificação feita em uma frase.
Os títulos antigos de El pontuam as histórias das origens, cada um ligado a um lugar ou a um encontro: El Shadái (o nome da era patriarcal, como a Torá mesma explica a Moshé), El Olám em Beer Sheva, El Roí — "o Deus que me vê" — nomeado por Hagár no deserto, e El Elohei Israél no altar de Yaacóv. E a palavra entrou nos nomes para sempre: Isra-EL, Bet-EL, Yishma-EL, Dani-EL — o elemento divino que este glossário rastreia em dezenas de verbetes. O empréstimo mais radical da história judaica foi ressignificado tão completamente que virou o coração da identidade: o povo que carrega El no nome é o povo que declarou que El é Um.
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