Um ano, muitas festas.
Sangue, rãs, piolhos, feras, peste, úlceras, granizo e gafanhotos, as oito primeiras. A nona, a escuridão, na qual não é possível enxergar uns aos outros. Por fim, a morte dos primogênitos, a morte de todo um futuro, que finalmente quebra Paró. As pragas escalam como um confronto entre o Deus libertador e um império que se pretendia divino: o deus-sol se apaga na escuridão.
O coração endurecido de Paró intrigou os leitores, em especial porque o próprio Deus o endurece. Talvez a tirania seja um vício que aprisiona o próprio tirano. No séder de Pêssach, porém, derramamos gotas de vinho ao enumerar as pragas, diminuindo nossa alegria diante do sofrimento dos opressores, pois também eles eram humanos. Poucas tradições celebram a própria libertação com uma taça deliberadamente incompleta.
Este aplicativo é um projeto independente, desenvolvido sem financiamento. Por isso, seu feedback é extremamente valioso.