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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
A Torá o menciona de passagem, como coisa que já existe: "quando um homem tomar mulher e ela não achar graça aos seus olhos, porque achou nela ervát davár, nudez de coisa alguma, escreverá para ela um livro de corte, o porá em sua mão e a mandará de sua casa" (). Do "livro" veio o documento; da "mão" veio a entrega; do "mandará", que é o verbo shalách, veio a lei de que só o marido pode dar o divórcio. E de ervát davár veio a discussão mais famosa: para a escola de Shamai, só por infidelidade; para a de Hilel, "até se queimou a comida". Venceu Hilel.
A Torá guarda duas outras cenas. Avrahám "manda embora" Hagár com pão e água, o primeiro divórcio narrado, e a divorciada, grushá, tem o nome da expulsão. E proíbe retomar a mulher que se casou com outro no meio, o que os profetas usam como imagem de Israel e Deus.
Como só o homem dá o guêt, a lei rabínica criou o drama da aguná, a mulher "acorrentada" a um marido que não o concede. O judaísmo liberal aceita o divórcio civil como válido e oferece, a quem quer, um rito de despedida igualitário.