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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
A Torá tem dois começos distintos. No capítulo 1 de Bereshít, "macho e fêmea os criou, à imagem de Deus", ao mesmo tempo e iguais. No capítulo 2, ela é tirada do lado do homem, e ele a nomeia: "esta será chamada ishá, porque de ish foi tomada". A tradição leu mais o segundo. A leitura liberal e feminista, desde Phyllis Trible, recuperou o primeiro e reparou que, no segundo, quem come primeiro do fruto e "vê que a árvore era desejável para dar entendimento" é ela.
A mesma palavra quer dizer "esposa", e nesse sentido a Torá a usa em quase toda cena de sexualidade: "és minha irmã, não minha ishá", "dá-me minha ishá", "a ishá de Potifár", "não cobiçarás a ishá do teu próximo". Em e em , a mulher casada é o eixo das proibições. E em Mishpatím ela tem o primeiro direito escrito: alimento, roupa e oná, a intimidade que o marido não pode negar.