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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
A Torá não fala de ketubá, mas fala do que ela protege. Em Mishpatím, a mulher tem direito a "alimento, roupa e oná", e o marido que os negar deve libertá-la. Em Ki Tetsé, quem acusa a noiva falsamente paga cem siclos ao pai, e quem viola uma virgem paga cinquenta e não pode divorciar-se. O móhar, o preço da noiva, aparece em Shechém, que oferece "quanto pedirdes" por Diná, e nos sete anos de Yaacóv, pagos em trabalho.
Os rabinos, com Shimón ben Shétach, no século I a.e.c., transformaram o preço pago ao pai numa dívida do marido para com a mulher, a ser paga em caso de divórcio ou morte. A ketubá é isso: um documento que torna o divórcio caro para o homem e garante à mulher com o que viver. Para o mundo antigo, foi uma proteção rara. A mais antiga que sobreviveu está entre os papiros de Elefantina, no Egito, do século V a.e.c.
Hoje, nas comunidades liberais, a ketubá é uma declaração mútua de compromissos, muitas vezes caligrafada e pendurada na parede do lar. O texto tradicional em aramaico convive com versões igualitárias em português.