Um ano, muitas festas.
O símbolo mais reconhecível do judaísmo é também o mais recente — e o mais emprestado. O hexagrama é um motivo decorativo e mágico antiquíssimo, presente em culturas da Índia ao Islã, em igrejas e em sinagogas, sem sentido especificamente judaico; na Antiguidade, o emblema do povo era a menorá. Foi na Praga do século XIV que a comunidade judaica ganhou o direito de ter bandeira própria e estampou nela a estrela de seis pontas — e dali o "escudo de David" se espalhou pelas comunidades ashkenazitas, até o século XIX o consagrar como o símbolo judaico universal: sinagogas, lápides, e então a bandeira do movimento sionista e do Estado de Israel (e o Maguén David Adom, a "cruz vermelha" israelense). Gershom Scholem escreveu o ensaio definitivo sobre essa história — incluindo seu capítulo mais doloroso: o distintivo amarelo imposto pelos nazistas, que fez da estrela marca de perseguição antes de ela renascer, ressignificada, num pedaço de pano azul e branco.
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