Um ano, muitas festas.
Mal'ách significa simplesmente "mensageiro" — e a Torá usa a mesma palavra para enviados humanos e divinos: os mal'achím que Yaacóv manda a Essáv são mensageiros de carne e osso, na mesma parashá em que ele luta à noite com uma figura misteriosa. Os anjos do Tanach não têm asas nem auréola (asas pertencem aos keruvím e aos serafím, categorias próprias) — aparecem como "homens" que visitam Avrahám, sobem e descem a escada de Yaacóv, encontram Hagár no deserto (duas vezes — ela é a primeira pessoa da Torá visitada por um anjo), detêm a mão de Avrahám na Akedá e barram o caminho de Bilám, visíveis primeiro à jumenta que ao profeta.
A tradição rabínica os definiu pela missão: um anjo não realiza duas tarefas, e não tem livre-arbítrio — razão pela qual o midrash considera o ser humano maior que os anjos: nós escolhemos. Na liturgia, eles cantam o "Kadosh, kadosh, kadosh" que a Kedushá cita, e são saudados às sextas-feiras no Shalom Aleichem, o canto aos dois anjos que acompanham cada pessoa da sinagoga para casa. A raiz é reveladora: mal'ách (anjo) e melachá (trabalho) vêm do mesmo tronco — missão, obra enviada. E uma única letra separa os anjos dos reis: mal'achím (מלאכים) e melachím (מלכים) — o álef que falta aos livros dos Reis.
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