Um ano, muitas festas.
De darash, “buscar, investigar”, o midrash é a arte judaica de ler nas frestas. Inclui perguntar o que o texto não diz, ligar versículos distantes, imaginar diálogos, preencher silêncios. Onde estava Sará durante a Akedá? Por que a Torá começa com a letra bet? O midrash responde com liberdade criativa e rigor amoroso, em coletâneas que atravessam um milênio (Midrash Rabá, Tanchuma, Pirkei deRabi Eliezer). Mais que um gênero, é um método vivo: cada geração faz seu midrash. E essa arte interpretativa pode ir além da palavra. Desde as paredes pintadas da sinagoga de Dura Europos (século III) e o mosaico de Tsipori, passando pelos manuscritos iluminados e chegando a Chagall e aos artistas de hoje, imagens também preenchem as frestas do texto. Cada pintor que decide como era a escada de Yaacóv, o que Sará fazia durante a Akedá ou que rosto tinha Miriám à beira do mar está fazendo midrash. O Talmud deu a imagem perfeita para essa multiplicidade: o versículo é como a rocha sob o martelo, que se parte em muitas lascas — muitos sentidos.
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