Um ano, muitas festas.
O monumental código de Maimônides (Rambam), concluído em 1180: toda a halachá organizada em catorze livros, em hebraico claríssimo, sem citar fontes nem registrar debates — a ousadia de destilar o oceano talmúdico em um sistema. O nome, "repetição da Torá", ecoa o apelido do livro de Devarím. Sua abertura é reveladora do autor: antes de qualquer lei prática, capítulos de filosofia — o conhecimento de Deus como primeiro mandamento — e as Hilchot Teshuvá, o tratado sobre o retorno que se lê até hoje nos Yamím Noraím. Gerou controvérsia exatamente pelo que o Talmud celebra e ele omitiu: a divergência. Mesmo assim (ou por isso), tornou-se referência permanente.
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