Um ano, muitas festas.
O nome da parashá que segue imediatamente o Sinai — e isso já diz tudo: da revelação grandiosa, a Torá passa sem pausa a escravos, bois, poços, empréstimos e depósitos. Mishpatím são as leis civis, o direito do dia a dia: a espiritualidade da Torá mora nos detalhes de como se trata quem trabalha, quem deve, quem sofreu dano.
Ali estão princípios que fundaram tradições jurídicas inteiras: indenização por dano, responsabilidade do guardião, proteção à viúva, ao órfão e ao guer, a proibição de seguir a maioria para o mal e de favorecer no julgamento — nem o rico, nem (surpreendentemente) o pobre: justiça é justiça. Para o judaísmo liberal, mishpatím é o antídoto contra toda espiritualidade desencarnada: não há Sinai que se sustente sem contrato social justo.
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