Um ano, muitas festas.
No deserto, atacado por serpentes venenosas, o povo clama; Deus manda Moshé erguer uma serpente de bronze num mastro: "quem olhar para ela, viverá". A Mishná se apressou a explicar: não era a serpente que curava — ao olhar para o alto, o povo voltava o coração ao Céu. O objeto era foco, não fetiche.
O final da história, séculos depois, é ainda mais instrutivo: o rei Chizkiáhu destruiu a serpente, porque o povo passara a queimar-lhe incenso — o instrumento de cura virara ídolo. Poucas narrativas resumem tão bem o alerta permanente da tradição: qualquer símbolo sagrado, quando absolutizado, vira avodá zará. (A serpente no mastro, curiosamente, sobrevive como símbolo da medicina.)
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