Um ano, muitas festas.
O voto do nazir, descrito em Nassó: pelo tempo prometido, a pessoa — homem ou mulher, a Torá explicita — abstém-se de vinho, não corta o cabelo e evita contato com mortos. Uma via de intensificação espiritual voluntária e temporária, aberta a quem não era cohen. O exemplo mais famoso é Shimshon, nazir de nascença.
A tradição olhou o instituto com ambivalência fascinante: ao final do voto, o nazir traz uma oferta de expiação — e o Talmud pergunta: expiar o quê? Uma resposta: por ter se privado do que é permitido. O judaísmo desconfia do ascetismo — o mundo foi feito para ser desfrutado com santidade, não recusado. A leitura liberal fica com essa sabedoria: disciplina espiritual, sim; desprezo pela vida, não.
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