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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
Velas, como as conhecemos hoje, não existiam na época da Torá. No hebraico bíblico, ner se refere a uma luminária, geralmente alimentada por óleo. Somente séculos mais tarde, com o surgimento e a popularização das velas de cera, o termo passou também a ser empregado para designá-las.
A palavra aparece catorze vezes na Torá, sempre ligada ao candelabro do Mishcán: nas instruções para fazê-lo, em Trumá; no mandamento de mantê-lo aceso com azeite puro de oliva batida () e no incenso da manhã e da tarde (), ambos em Tetsavé; na sua construção, em Vayak'hél; na inauguração do Mishcán, em Pekudei; na ordem repetida a Aharón (), em Emór; e na preparação das lâmpadas, em Bamidbár e em Behaalotchá — parashá que recebe o nome justamente do mandamento "quando fizeres subir as luzes" (behaalotchá et haNerót).
Existem as velas que acolhem o Shabat (acesas ao menos duas, por "lembra" e "guarda"), as da chanukiá crescendo noite a noite, a vela trançada da Havdalá, e o ner neshamá, a vela da alma, acesa no yahrzeit e em Yom Kipúr pela memória de quem partiu. A imagem vem de Mishlei: "ner Adonai nishmát adám", "a alma humana é a vela de Adonai". Acender uma vela, na gramática judaica, é afirmar que uma chama pequena e vulnerável vale a pena, e que a escuridão se combate com luz.