Um ano, muitas festas.
Na Torá, profetizar não é prever o futuro: é falar em nome de Deus — sobretudo para o presente. Moshé é o modelo ("face a face"), mas a nevuá transborda hierarquias: Miriám é profetisa, os setenta anciãos profetizam, Eldád e Meidád profetizam sem autorização, e até Bilám, estrangeiro contratado para maldizer, só consegue abençoar. "Quem dera todo o povo de Adonai fosse profeta!", sonha Moshé.
Os profetas posteriores definiram o gênero: crítica ao poder, defesa dos vulneráveis, recusa do ritual vazio — "que o direito corra como as águas". A tradição diz que a profecia cessou, mas o judaísmo liberal herda seu espírito: a voz profética continua sendo o padrão pelo qual julgamos religião e sociedade — e a tarefa, agora, é coletiva.
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