Temas

O que você quer encontrar na Parashá da Semana?

Verbetes para todo tipo de curioso.

Roteiros de estudo

Percursos pelo que se repete, parashá a parashá.

Todos os roteiros ›

Parashá

O ciclo do ano

←Voltar

As 54 parashiot, livro a livro

Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.

Calendário

—
—

 

Sincronização calendárica
Os meses hebraicos e os civis lado a lado, com as parashiot e as festas
—
—
—
—
—
Ciclo da Parashá – —
as 54 parashiot · em destaque, o mês acima
←Voltar
פָּרָשָׁה
Parashá
Porção, seção

Parashá significa "porção". É a fatia da Torá que se lê a cada Shabat, na sinagoga, ao longo de um ano. São 54 porções, e o ciclo se completa a cada Simchát Torá. Por isso, para muita gente, o tempo judaico tem dois relógios. Um marca o mês pela lua, e o outro marca a semana pela parashá. Perguntar "em que parashá estamos?" é uma forma de perguntar "que dia é hoje?".

Também se chama sidrá, "a porção da ordem", a que vem na vez. É o termo do Talmúd, ainda preferido por muitos sefaradim. Os dois nomes valem, e parashá é o mais usado hoje.

Uma leitura liberal

Para o judaísmo reformista e liberal, a Torá não é um ditado, e sim o registro do encontro de um povo com Deus, escrito por mãos humanas ao longo de séculos. A parashá passa a ser um texto a interrogar. Cada semana traz uma pergunta diferente: o que este trecho quis dizer quando foi escrito, o que os sábios fizeram com ele e o que ele nos pede hoje. Às vezes a resposta é discordar. O movimento reformista lê Lech Lechá e a Akedá com a mesma reverência com que lê as leis sobre escravos e o apedrejamento de quem viola o Shabat, mas não com o mesmo assentimento. A parashá é o lugar em que a tradição e a consciência se encontram, e a cada semana se negocia de novo.

O Chumash Plaut é uma excelente referência para o estudo da parashá com um olhar liberal. Para cada livro da Torá e para cada parashá, reúne comentários clássicos e contemporâneos, a crítica bíblica, a arqueologia, a comparação com a literatura do antigo Oriente Médio, o midrásh e uma coletânea de vozes.

A palavra

Vem da raiz פ־ר־ש, "separar, dividir, especificar". Uma parashá é o que foi separado do texto contínuo. Da mesma raiz vêm perúsh, "comentário", e lefarésh, "interpretar". A raiz descreve ao mesmo tempo a porção e o que se faz com ela. Separar o texto e explicá-lo são o mesmo gesto.

No rolo da Torá, o Sêfer Torá, não há títulos nem números de capítulo. O que existe são espaços em branco. Um espaço até o fim da linha é uma parashá petuchá, "aberta", e um espaço no meio da linha é uma parashá setumá, "fechada". Essas pausas são muito antigas e nem sempre coincidem com as 54 porções semanais. A porção da semana se chama, com mais precisão, parashát hashavúa.

De onde vem o costume

A Torá manda que ela seja lida em público a cada sete anos, em Sucót (). A tradição atribui a Ezrá, no retorno da Babilônia, a leitura regular às segundas, quintas e Shabatot. Ler a Torá em voz alta, diante de toda a comunidade, com tradução e explicação, é a cena fundadora do judaísmo rabínico (). Dali em diante, o texto deixa de ser só dos sacerdotes e passa a ser de quem ouve.

Durante séculos coexistiram dois ritmos. Na Terra de Israel a Torá era lida em cerca de três anos, em porções pequenas. Na Babilônia, em um ano. O ciclo anual venceu, e as 54 parashiot são a divisão babilônica. Muitas comunidades reformistas leem hoje apenas um terço de cada parashá por semana, retomando à sua maneira o ritmo trienal. A leitura é a mesma para todo o mundo judaico, com um único descompasso: quando um Yom Tov cai em Shabat só na diáspora, Israel adianta uma semana, e leva algumas semanas para os dois calendários se reencontrarem.

Como o ciclo se acomoda ao ano

O ano judaico tem 50 ou 51 Shabatot de leitura, e várias vezes o Shabat é ocupado por uma festa. Para as 54 porções caberem, algumas são lidas em dupla: Vayak'hél e Pekudei, Tazría e Metsorá, Acharei Mot e Kedoshím, Behár e Bechucotái, Chucát e Balák, Matót e Massei, Nitsavím e Vayélech. Nos anos embolísmicos, com o mês de Adar dobrado, sobram Shabatot e as duplas se separam. A parashá de uma data muda, assim, de ano para ano. É por isso que o app calcula a parashá em vez de guardá-la numa tabela fixa.

Alguns Shabatot recebem um trecho extra além da parashá: os quatro Shabatot especiais antes de Pêssach (Shecalím, Zachór, Pará e haChódesh) e o Shabat de Rosh Chódesh.

Na sinagoga

A parashá é dividida em sete aliyót, "subidas", mais o maftír, que repete os últimos versículos e abre caminho para a haftará, o trecho dos Profetas que responde à porção da semana. A leitura é cantada segundo os táamim, sinais de cantilação que marcam a melodia e a pontuação. Ser chamado à Torá é uma honra, e a parashá da semana em que se nasce costuma ser a que se lê no Bar ou Bat Mitsvá.

Em torno da leitura cresceu toda uma cultura. O dvar Torá é o comentário semanal. Rashí acompanha cada parashá em quase todo Chumásh impresso. No século XX, Nechama Leibowitz reinventou o estudo da porção semanal com suas folhas de perguntas, as guilyonót. O Chumash Plaut também se organiza parashá a parashá.

Neste aplicativo

Cada parashá é, ao mesmo tempo, uma unidade de tempo, de leitura e de significado. É por isso que ela é o nó central da rede. Dela partem personagens, lugares, conceitos, mitsvót e festas.

Vale um aviso. A divisão em parashiot é litúrgica e não segue com exatidão a narrativa. Uma história pode começar no fim de uma porção e terminar no começo da seguinte.

Aparece em
Judaísmo rabínico
Etimologia
Origem hebraica
: Separar, dividir; especificar.
Como em:Cavaleiro
Conexões
Raiz hebraica
פ־ר־שׁ
Na Torá e no Tanach
52. Vayélech — a leitura pública da Torá a cada sete anos, em Sucót
Objetos
ChumáshOs cinco livros da Torá em forma de livro, organizados parashá a parashá
Conceitos relacionados
Nechama LeibowitzReinventou o estudo da parashat hashavua: as gilyonot semanais
A Torá: Um Comentário ModernoO primeiro chumásh a resolver a dissonância entre o que é dito nas bimót reformistas e o texto que se tem nas mãos
Sêfer ToráCada parashá é lida diretamente do rolo
54. Vezót haBracháA 54ª e última parashá, lida em Simchát Torá
Esdras-NeemiasA tradição atribui a ele a leitura regular às segundas, quintas e Shabatot
TalmúdOnde a parashá se chama sidrá, "a porção da ordem"
AliáCada parashá é dividida em sete aliyót, "subidas" à Torá
Bar MitsváA parashá da semana do nascimento costuma ser a lida no Bar Mitsvá
Bat MitsváA parashá da semana do nascimento costuma ser a lida no Bat Mitsvá
Gerações, linhagensOutra divisão do texto: as "gerações" que estruturam Bereshít, independentes das parashiot
PaRDeSOs quatro níveis de leitura aplicados à porção da semana
Calendário
ShabatA parashá é lida a cada Shabat: o relógio da semana judaica
Simchát ToráO ciclo das 54 porções termina e recomeça no mesmo dia
Yom TovQuando uma festa cai no Shabat, sua leitura toma o lugar da parashá
Rosh ChódeshO Shabat de Rosh Chódesh recebe um trecho extra além da parashá
AdarNo ano embolísmico, com Adar dobrado, as parashiot em dupla se separam
Estrutura
ToráA unidade de leitura em que a Torá se divide: 54 porções por ciclo anual
HaftaráCada parashá tem sua haftará: a voz profética que responde à porção da semana