Calendário de leitura
O que você quer encontrar na Parashá da Semana?
Verbetes para todo tipo de curioso.
Percursos pelo que se repete, parashá a parashá.
Todos os roteiros ›Seleção de temas
Compare até cinco temas ao mesmo tempo.
Navegação
Pela barra dos livros ou da roda. Toque numa seção narrativa, capítulo ou versículo para abrir o texto na Sefaria.
Filtragem de personagem
Veja quando um personagem age, quando é citado ou quando seu nome representa um grupo.
Diálogos
Compare personagens entre si: quem fala mais, quem ouve mais, quem tem falas pontuais, quem faz discursos.
Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
Parashá significa "porção". É a fatia da Torá que se lê a cada Shabat, na sinagoga, ao longo de um ano. São 54 porções, e o ciclo se completa a cada Simchát Torá. Por isso, para muita gente, o tempo judaico tem dois relógios. Um marca o mês pela lua, e o outro marca a semana pela parashá. Perguntar "em que parashá estamos?" é uma forma de perguntar "que dia é hoje?".
Também se chama sidrá, "a porção da ordem", a que vem na vez. É o termo do Talmúd, ainda preferido por muitos sefaradim. Os dois nomes valem, e parashá é o mais usado hoje.
Para o judaísmo reformista e liberal, a Torá não é um ditado, e sim o registro do encontro de um povo com Deus, escrito por mãos humanas ao longo de séculos. A parashá passa a ser um texto a interrogar. Cada semana traz uma pergunta diferente: o que este trecho quis dizer quando foi escrito, o que os sábios fizeram com ele e o que ele nos pede hoje. Às vezes a resposta é discordar. O movimento reformista lê Lech Lechá e a Akedá com a mesma reverência com que lê as leis sobre escravos e o apedrejamento de quem viola o Shabat, mas não com o mesmo assentimento. A parashá é o lugar em que a tradição e a consciência se encontram, e a cada semana se negocia de novo.
O Chumash Plaut é uma excelente referência para o estudo da parashá com um olhar liberal. Para cada livro da Torá e para cada parashá, reúne comentários clássicos e contemporâneos, a crítica bíblica, a arqueologia, a comparação com a literatura do antigo Oriente Médio, o midrásh e uma coletânea de vozes.
Vem da raiz פ־ר־ש, "separar, dividir, especificar". Uma parashá é o que foi separado do texto contínuo. Da mesma raiz vêm perúsh, "comentário", e lefarésh, "interpretar". A raiz descreve ao mesmo tempo a porção e o que se faz com ela. Separar o texto e explicá-lo são o mesmo gesto.
No rolo da Torá, o Sêfer Torá, não há títulos nem números de capítulo. O que existe são espaços em branco. Um espaço até o fim da linha é uma parashá petuchá, "aberta", e um espaço no meio da linha é uma parashá setumá, "fechada". Essas pausas são muito antigas e nem sempre coincidem com as 54 porções semanais. A porção da semana se chama, com mais precisão, parashát hashavúa.
A Torá manda que ela seja lida em público a cada sete anos, em Sucót (). A tradição atribui a Ezrá, no retorno da Babilônia, a leitura regular às segundas, quintas e Shabatot. Ler a Torá em voz alta, diante de toda a comunidade, com tradução e explicação, é a cena fundadora do judaísmo rabínico (). Dali em diante, o texto deixa de ser só dos sacerdotes e passa a ser de quem ouve.
Durante séculos coexistiram dois ritmos. Na Terra de Israel a Torá era lida em cerca de três anos, em porções pequenas. Na Babilônia, em um ano. O ciclo anual venceu, e as 54 parashiot são a divisão babilônica. Muitas comunidades reformistas leem hoje apenas um terço de cada parashá por semana, retomando à sua maneira o ritmo trienal. A leitura é a mesma para todo o mundo judaico, com um único descompasso: quando um Yom Tov cai em Shabat só na diáspora, Israel adianta uma semana, e leva algumas semanas para os dois calendários se reencontrarem.
O ano judaico tem 50 ou 51 Shabatot de leitura, e várias vezes o Shabat é ocupado por uma festa. Para as 54 porções caberem, algumas são lidas em dupla: Vayak'hél e Pekudei, Tazría e Metsorá, Acharei Mot e Kedoshím, Behár e Bechucotái, Chucát e Balák, Matót e Massei, Nitsavím e Vayélech. Nos anos embolísmicos, com o mês de Adar dobrado, sobram Shabatot e as duplas se separam. A parashá de uma data muda, assim, de ano para ano. É por isso que o app calcula a parashá em vez de guardá-la numa tabela fixa.
Alguns Shabatot recebem um trecho extra além da parashá: os quatro Shabatot especiais antes de Pêssach (Shecalím, Zachór, Pará e haChódesh) e o Shabat de Rosh Chódesh.
A parashá é dividida em sete aliyót, "subidas", mais o maftír, que repete os últimos versículos e abre caminho para a haftará, o trecho dos Profetas que responde à porção da semana. A leitura é cantada segundo os táamim, sinais de cantilação que marcam a melodia e a pontuação. Ser chamado à Torá é uma honra, e a parashá da semana em que se nasce costuma ser a que se lê no Bar ou Bat Mitsvá.
Em torno da leitura cresceu toda uma cultura. O dvar Torá é o comentário semanal. Rashí acompanha cada parashá em quase todo Chumásh impresso. No século XX, Nechama Leibowitz reinventou o estudo da porção semanal com suas folhas de perguntas, as guilyonót. O Chumash Plaut também se organiza parashá a parashá.
Cada parashá é, ao mesmo tempo, uma unidade de tempo, de leitura e de significado. É por isso que ela é o nó central da rede. Dela partem personagens, lugares, conceitos, mitsvót e festas.
Vale um aviso. A divisão em parashiot é litúrgica e não segue com exatidão a narrativa. Uma história pode começar no fim de uma porção e terminar no começo da seguinte.