Sobre o Projeto Parashá

O Projeto Parashá é uma ferramenta independente para explorar a Torá por meio de relações.

Em vez de acompanhar apenas a sequência semanal das 54 parashiot, você pode seguir uma palavra, uma raiz hebraica, um personagem, um acontecimento ou um tema através de toda a Torá.

O projeto combina texto hebraico, calendário, dados e visualizações para permitir diferentes formas de investigação: localizar ocorrências, comparar parashiot, acompanhar temas, cruzar datas e observar como palavras e ideias reaparecem e se transformam ao longo do texto.

As conexões não se limitam aos temas tradicionalmente associados ao estudo da Torá. O Projeto Parashá é feito para quem gosta de investigar o texto fazendo perguntas, estabelecendo relações e colocando palavras, personagens, acontecimentos e ideias em diálogo com perspectivas contemporâneas.

Exploração temática da Torá

O projeto oferece uma visualização interativa dos cinco livros da Torá, suas 54 parashiot e diferentes níveis de organização do texto.

Na visualização linear, as faixas apresentam os livros, as divisões narrativas do Chumash de Plaut, capítulos e versículos e, na última faixa, os temas escolhidos pelo usuário. Livros, divisões narrativas e versículos são clicáveis e levam diretamente à Sefaria.

Na visualização em roda, os cinco livros e as 54 parashiot formam a estrutura do círculo, enquanto os temas aparecem como marcações ao longo do texto. É possível sobrepor diferentes temas para comparar sua distribuição e observar onde eles se aproximam, se concentram ou se distanciam.

O calendário

O Projeto Parashá apresenta um calendário em que a parashá não é apenas uma informação associada a uma data: ela nomeia a semana. Assim, cada dia pode ser localizado simultaneamente no calendário gregoriano, no calendário hebraico e no ciclo anual de leitura da Torá.

A visualização em grade permite acompanhar essa correspondência no decorrer das semanas, relacionando cada parashá às suas respectivas datas. A visualização em roda amplia essa perspectiva, apresentando o ciclo da Torá como um percurso contínuo ao longo do ano e permitindo perceber a sequência das parashiot e sua relação com o calendário.

A parashá de cada Shabat é calculada pelo algoritmo do Dr. Irv Bromberg (Universidade de Toronto), com a junção das parashiot duplas e as diferenças entre o calendário da Diáspora (dois dias de festa) e o de Israel (um dia), que o site oferece como opção.

As datas do calendário hebraico são calculadas pelo próprio site, com o método tradicional descrito em Calendrical Calculations, de Dershowitz e Reingold, e foram conferidas contra o Hebcal. As festas, os jejuns e as datas nacionais de Israel seguem as regras de adiamento tradicionais e a lei israelense.

O calendário começa em 15 de outubro de 1582, primeiro dia do calendário gregoriano, adotado no mesmo dia por Portugal e pelo Brasil. Antes dessa data, as datas civis não corresponderiam às dos documentos da época, que usavam o calendário juliano.

As fontes

O texto hebraico utilizado no projeto é o mesmo encontrado na Sefaria. Trata-se da Mikrá al pi haMassorá (MAM), edição digital preparada pelo rabino Avi Kadish a partir do Códice de Alepo.

O método da MAM segue a pesquisa do rabino Mordechai Breuer, que também orientou a revisão do texto hebraico do Plaut em 2005. Por isso, o texto e a numeração dos versículos utilizados no Projeto Parashá são os mesmos encontrados na Sefaria e no seu Chumash Plaut.

Para o mapeamento das raízes consonantais, a MAM foi complementada pelo Open Scriptures Hebrew Bible, um projeto acadêmico aberto.

A organização narrativa do Chumash Plaut também é utilizada como referência para a navegação pelo texto. Nenhuma tradução ou comentário da obra é reproduzido. A edição de referência é a brasileira, A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, publicada pela União do Judaísmo Reformista. As conexões temáticas são selecionadas e revisadas pela equipe do projeto.

Um projeto independente

O Projeto Parashá é um projeto independente e sem fins lucrativos.

Ele nasceu da vontade de construir ferramentas de estudo e pesquisa para quem quer estudar a Torá não apenas seguindo sua ordem, mas passeando por seus temas, palavras, personagens, acontecimentos e ideias.

É um projeto sempre em construção, por isso você também pode participar. Você pode apontar um erro, indicar uma fonte, sugerir uma conexão, questionar uma interpretação ou contribuir com a revisão de um texto inteiro.

Afinal, se você estuda a parashá, você também faz parte dessa história.

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Parashá

O ciclo do ano

Referência bibliográfica das seções narrativas: A Torá: Um Comentário Moderno (Chumash do W. Gunther Plaut, editada pela UJR no Brasil).

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As 54 parashiot, livro a livro

Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.

Calendário

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Sincronização calendárica
Os meses hebraicos e os civis lado a lado, com as parashiot e as festas
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Ciclo da Parashá – —
as 54 parashiot · em destaque, o mês acima
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פִּילֶגֶשׁ
Pilégesh
Concubina

A pilégesh ocupa uma posição entre a esposa e outras formas de união sexual ou doméstica. O Tanach conhece a instituição, mas não oferece uma definição jurídica sistemática dela.

A narrativa mostra diferentes situações. Hagár é dada por Sará a Avrám "por mulher", mas seu filho é depois afastado. Bilhá e Zilpá são dadas por Rachél e Leá a Yaacóv, e seus filhos se tornam ancestrais de tribos de Israel. Mesmo assim, Bilhá é chamada de pilégesh quando Reuvén se deita com ela, e o episódio é tratado como uma usurpação da posição do pai.

No caso de Avrahám, a distinção aparece explicitamente na herança: Yitschák recebe tudo o que Avrahám possui, enquanto os filhos das pilagshím recebem presentes e são enviados para longe dele, em direção ao Oriente.

A Torá também descreve a situação da serva hebreia que o senhor destina a si ou a seu filho. Se ele não a quiser, não poderá vendê-la a um povo estrangeiro, o que estabelece limites para o destino dessa mulher dentro da estrutura social da época.

Em muitas dessas narrativas, a mulher é incorporada à casa por decisão de outras pessoas e raramente tem voz própria. A voz de Hagár no deserto é uma exceção.

Ver na Torá

Aparece em
3. Lech Lechá5. Chayei Sará7. Vayetsé8. Vayishlách12. Vayechí18. Mishpatím
Etimologia
Palavra de origem estrangeira, sem raiz hebraica clara; aparentada ao grego pallakís. É uma das palavras do hebraico bíblico que provavelmente vieram de outra língua.
Conexões
Eventos e episódios
HagárDada por Sará a Avrám "por mulher" ()
SaráDá Hagár a Avrám
BilháChamada pilégesh quando Reuvén se deita com ela ()
ZilpáDada por Leá a Yaacóv ()
RachélDá Bilhá a Yaacóv ()
LeáDá Zilpá a Yaacóv
ReuvénDeita-se com Bilhá, a pilégesh do pai
KeturáOs filhos das pilagshím de Avrahám recebem presentes e são mandados ao Oriente ()
YishmaélFilho de Hagár, afastado da herança
Conceitos relacionados
MulherEntre a esposa e outras formas de união
EscravidãoA serva hebreia destinada ao senhor ou a seu filho ()
Gerações, linhagensQuem herda e quem é afastado
EsterilidadeA concubina como resposta à esterilidade
KidushínO casamento pleno, que a pilégesh não tem
KetubáO contrato que a pilégesh não tem
MulherEntre a esposa e a concubina
Roteiros de estudo
Sexualidade