Um ano, muitas festas.
A festa mais barulhenta do ano: a leitura da Meguilá de Estér com matracas abafando o nome de Haman, fantasias, o banquete, os mishloach manot (presentes de comida a amigos) e as matanot laevionim (doações a quem precisa) — a alegria de Purím é incompleta se não for partilhada. O nome vem do pur, o sorteio com que Haman marcou a data do extermínio que não houve.
Sob a farsa, temas sérios: uma judia na diáspora que oculta e depois revela sua identidade para salvar seu povo ("quem sabe não foi para um momento como este que chegaste ao trono?"); um livro inteiro sem o nome de Deus, onde a salvação depende de coragem humana; e o comando talmúdico de beber "até não distinguir" — o mundo às avessas por um dia, para lembrar que as hierarquias são reversíveis. Nas comunidades liberais, o purimshpil (teatro cômico) e a paródia são levados religiosamente a sério: rir também é tradição.
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