Um ano, muitas festas.
Soferet stam — escriba de manuscritos sagrados — nascida em São Paulo, a primeira mulher do Brasil e da América Latina a escrever integralmente um Sêfer Torá. Formada em Comunicação Visual pela FAAP, credenciou-se como soferet pelo Seminário Rabínico Latino-Americano de Buenos Aires e estudou caligrafia judaica no Instituto Pardes, em Jerusalém. Seu primeiro pergaminho foi a Meguilá de Estér — o "teste" clássico de quem inicia o ofício, por ser o único livro sem o Nome divino — e ela integrou o Women's Torah Project de Seattle, a primeira Torá do mundo escrita por mulheres.
Em 2 de novembro de 2025, após sete anos de trabalho, entregou à Comunidade Shalom de São Paulo — comunidade igualitária e plural — um rolo completo escrito por suas mãos: cerca de 305 mil caracteres a pena, sob mais de duas mil regras, cada palavra pronunciada em voz alta antes de escrita, como manda a tradição. É um dos pouquíssimos rolos do mundo escritos integralmente por uma única mulher. Num ofício exercido por homens durante séculos, sua Torá — que passa a ser lida nos serviços da comunidade — é o arco "da margem ao centro" completado em português: a palavra que atravessou o Sinai, agora também pela mão de uma paulistana.
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