Um ano, muitas festas.
A obra do segundo dia: uma lâmina estendida que separa águas de águas (Gn 1:6-8). A raiz r-k-a descreve metal batido até virar folha, o que dá a imagem exata da cosmologia antiga — uma cúpula sólida segurando um oceano lá em cima, com aberturas por onde a chuva desce.
O que importa não é a física, que é a do mundo antigo, e sim a operação: o rakía cria espaço. Antes dele há só água; depois dele há um entre-lugar onde cabem aves, nuvens, vento e vida. É o primeiro ato de organização do cosmos — e o único dia da criação que não recebe a frase "e viu Deus que era bom".
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