Um ano, muitas festas.
No ritual de Yom Kipúr descrito em Acharei Mot, o cohén tomava dois bodes idênticos e sorteava: um era oferecido a Adonai, o outro designado "para Azazel". Sobre a cabeça do segundo, o sacerdote confessava em voz alta as transgressões de todo o povo e o enviava vivo ao deserto, levando embora aquilo que a comunidade não conseguia carregar.
O que é Azazel ninguém sabe ao certo. Há quem leia ez ozél, "o bode que se vai"; há quem entenda um penhasco escarpado no deserto; e há uma tradição que vê ali o nome de uma entidade do ermo. A Mishná descreve o costume tardio de amarrar um fio escarlate no animal e conduzi-lo até um despenhadeiro — e conta que o fio embranquecia quando o perdão era concedido.
A expressão entrou em quase todas as línguas ocidentais. É uma ironia da história, pois o rito virou o nome do mecanismo social de despejar as culpas de um grupo sobre alguém e expulsá-lo.
Sem Templo e sem bodes, restou a teshuvá, o que é o oposto de excluir um terceiro para nos pouparmos de olhar as próprias falhas.
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