Um ano, muitas festas.
"Ordem" — a noite de Pêssach roteirizada em quinze passos, do Kadêsh ao Nirtsá: a refeição mais coreografada e mais amada do calendário judaico. Tudo nela é pedagogia disfarçada de jantar: as quatro perguntas para destravar as crianças, o afikoman escondido para mantê-las acordadas, os símbolos na mesa (matsá, maror, charósset) para comer a história em vez de apenas ouvi-la, as quatro taças pontuando a narrativa da Hagadá.
A genialidade do sêder é fazer da memória um evento doméstico e multissensorial — não um sermão, uma experiência. E seu nome guarda o paradoxo fecundo: é preciso ordem para contar a liberdade; a noite mais livre do ano é também a mais estruturada.
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