Um ano, muitas festas.
A primeira coisa que a Torá chama de santa não é um lugar nem um objeto: é um dia. O Shabat encerra a própria criação — "e descansou no sétimo dia" — e aparece nas Dez Palavras com duas justificativas que se completam: lembrar a criação (Shemót) e lembrar a saída da escravidão (Devarím). Descanso como assinatura do mundo e como conquista social: também escravos, estrangeiros e animais descansam.
Achad Haam resumiu: "mais do que Israel guardou o Shabat, o Shabat guardou Israel". Velas, kidush, chalot, mesa posta, canto, estudo, presença — o Shabat é a catedral do judaísmo, construída no tempo (Heschel) e acessível a qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem custo. Para o judaísmo liberal, guardá-lo é menos uma lista de proibições e mais uma arte: criar semanalmente uma ilha de não-produtividade, conexão e sentido num mundo que não sabe parar.
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