Um ano, muitas festas.
Metade do universo, desde a primeira frase da Torá: "no princípio, os céus e a terra" (Gn 1:1). É o domínio das aves, o lugar de onde vem a chuva, a esfera de onde Deus fala.
Mas é sobretudo uma fronteira: os céus marcam o que não é humano, e por isso a Torá desconfia de quem tenta alcançá-los — a torre de Bavél é a única construção do texto que se propõe a chegar lá, e Deus precisa descer para vê-la. O plural (a forma é dual em hebraico) sugere extensão sem fim, e Devarím leva isso ao limite: "de Adonai são os céus, e os céus dos céus" (Dt 10:14).
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