Um ano, muitas festas.
O sistema de pureza e impureza rituais que ocupa o centro de Vayikrá: contato com a morte, doenças de pele, fluxos corporais, parto. Repita-se o essencial: tumá não é pecado nem sujeira — é uma categoria cerimonial, quase sempre ligada aos encontros com as fronteiras da vida (nascimento, sexualidade, morte), que afastava temporariamente do santuário e se resolvia com tempo e água.
Sem Templo, o sistema quase todo caducou — restaram a micvê e práticas ligadas ao respeito aos mortos. Mas a linguagem migrou para a ética: falamos em "pureza de intenções", em tahorat halev, pureza do coração. A prece matinal guarda o espírito: "a alma que me deste, pura ela é". Para o judaísmo liberal, é essa a tahará que importa — e a micvê, quando buscada, é escolha e não obrigação.
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