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Saiba mais →Divisões narrativas das parashiot baseadas na obra A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, gentilmente cedidas pela UJR-AmLat.
Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.
O nome da bíblia hebraica é um acrônimo. Tanách (תנ״ך), formado pelo nome dos três corpos de texto: a Torá (תורה), os Neviím (נביאים, Profetas) e os Ketuvím (כתובים, Escritos).
É uma coleção de textos hebraicos e, em pequena parte, aramaicos, formada por diferentes gêneros literários, como narrativa, poesia, legislação, genealogia, sabedoria, profecia e literatura histórica.
A Torá compreende cinco livros: Bereshít (Gênesis), Shemót (Êxodo), Vayikrá (Levítico), Bamidbár (Números) e Devarím (Deuteronômio). Em formato de livro impresso, é chamada de Chumásh, “cinco”, em referência aos cinco livros.
Os Neviím reúnem textos proféticos e históricos, divididos tradicionalmente em Profetas Anteriores (Neviím Rishoním) — Yehoshúa, Shoftím, Shmuél e Melachím — e Profetas Posteriores (Neviím Acharoním) — Yeshaiáhu, Yirmiáhu, Yechezkél e os Doze Profetas.
Os Ketuvím, por sua vez, constituem uma coleção diversa de escritos, incluindo Tehilím, Mishlei, Iyóv, os cinco Meguilót, Daniél, Ezrá-Nechemyá e Divrei haYamím.
São 24 livros, compostos e editados ao longo de vários séculos, em diferentes períodos da história do antigo Israel e de Judá. A datação exata varia de acordo com o livro e continua sendo objeto de discussão acadêmica. Portanto, não existe uma única data de “composição do Tanách”. Os textos preservam camadas literárias de diferentes épocas, e sua forma final resulta de processos prolongados de transmissão e edição.
Os testemunhos manuscritos mais antigos conhecidos de partes substanciais do Tanách são os Manuscritos do Mar Morto, encontrados principalmente em Qumran e datados aproximadamente entre os séculos III AEC e I EC. Eles incluem fragmentos de quase todos os livros do Tanách, com exceção de Estér, e demonstram que diferentes formas textuais circulavam no período do Segundo Templo.
Essa divisão em três partes aparece já em fontes judaicas antigas. O prólogo grego de Ben Sira, provavelmente do século II AEC, menciona “a Lei, os Profetas e os outros livros”, enquanto fontes rabínicas posteriores consolidam a terminologia e a ordem tradicional. Entre eles está o conhecido Grande Rolo de Isaías, geralmente datado do século II AEC.
Outro testemunho importante é a Septuaginta, tradução grega das Escrituras judaicas produzida gradualmente a partir dos séculos III–II AEC. Ela é uma fonte antiga para o estudo da história textual, embora sua organização e seu conteúdo não correspondam exatamente ao Tanách judaico posterior.
O texto hebraico tradicional do Tanách é conhecido como Texto Massorético. Os massoretas, sábios e escribas judeus ativos sobretudo entre os séculos VI e X EC, preservaram e transmitiram cuidadosamente o texto consonantal, acrescentando sinais de vocalização, acentuação e numerosas anotações destinadas a controlar sua leitura e transmissão. Entre os manuscritos massoréticos mais importantes estão o Códice de Aleppo, produzido no século X, e o Códice de Leningrado, datado de 1008/1009 EC. Este último é o mais antigo manuscrito completo do Tanách preservado.
A tradição textual judaica, portanto, não começa nos manuscritos medievais. O texto massorético é resultado de uma longa história de transmissão que pode ser observada em manuscritos do Segundo Templo, traduções antigas, citações em literatura judaica e testemunhos medievais. A comparação entre esses materiais permite estudar tanto a estabilidade quanto as variações existentes na transmissão do texto.