Um ano, muitas festas.
O dia mais triste do calendário: jejum maior (25 horas) que concentra as grandes catástrofes — a destruição dos dois Templos (586 AEC e 70 EC) e, pela memória tradicional, o decreto contra a geração dos espiões, a queda de Betar, a expulsão da Espanha em 1492. Lê-se Eichá à meia-luz, sentados no chão, em melodia de lamento; retiram-se os ornamentos da sinagoga.
A tradição afirma que "o Mashiach nasce em Tishá beÁv" — do fundo da perda, o germe da consolação: no Shabat seguinte (Nachamu), começa a série das sete haftarot de consolo. O movimento reformista teve historicamente relação ambivalente com a data (não se pranteia um Templo cuja restauração não se deseja), mas a ressignificou: dia de memória das catástrofes judaicas e de reflexão sobre suas causas — o Talmud culpa o sinat chinam, o ódio gratuito entre judeus. Enquanto houver ódio gratuito, Tishá beÁv tem o que dizer.
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