Um ano, muitas festas.
Da raiz tsédek, "justiça" — e a etimologia é o ensinamento: dar a quem precisa não é caridade (do latim caritas, amor, favor), é justiça, obrigação, devolução de algo que nunca foi só nosso. A Torá a estrutura na própria colheita: o canto do campo, as espigas caídas, o dízimo do pobre — o necessitado colhe por direito, não por esmola.
Maimônides ordenou os graus da tsedaká — no topo, capacitar alguém a não precisar mais dela — e a tradição a exige até de quem a recebe: todo mundo tem o que dar. "A tsedaká salva da morte", diz Mishlei; talvez, antes, salve a vida em comum. Nas comunidades liberais, a caixinha de tsedaká antes do Shabat segue ensinando às crianças a lição inteira em um gesto.
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