Um ano, muitas festas.
O rio Jordão: a fronteira líquida entre o deserto e a promessa. Moshé implora atravessá-lo e ouve não; as tribos de Reuvén e Gad escolhem ficar aquém dele (com a condição de lutar junto às demais); e é sob Yehoshúa que as águas se detêm — reprise do mar — e o povo passa a seco, erguendo doze pedras de memória: "quando vossos filhos perguntarem...".
Descendo do Chermon ao ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto, o Yardén é geograficamente modesto e simbolicamente imenso: a linha que separa caminhar da chegada, promessa de responsabilidade. Ali Eliyáhu subirá aos céus e Naamán será curado; culturas inteiras fizeram dele metáfora de travessia. Na Torá, porém, seu papel é sóbrio: rios não se atravessam por milagre à toa — atravessa-se quando a geração está pronta. E a pergunta fica correndo, como a água: de que margem estamos, e o que falta para passar?
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