Um ano, muitas festas.
O Dia da Expiação, "Shabat dos Shabats": 25 horas de jejum, roupas brancas, e a liturgia mais intensa do ano — do Kol Nidrei ao toque final do shofar na Neilá, quando "os portões se fecham". O Vidui, a confissão, é dito no plural — "pecamos, transgredimos" — porque a responsabilidade é também coletiva; e a haftará escolhida é a mais anti-ritualista possível: Yeshaiáhu proclamando que o jejum desejado é "libertar os oprimidos e repartir teu pão com o faminto".
A Mishná estabeleceu o limite que define o dia: Yom Kipúr expia as faltas entre a pessoa e Deus — mas as faltas entre pessoas, só quando houver reconciliação direta. Por isso os dias anteriores se enchem de pedidos de perdão concretos. É o dia de maior presença nas sinagogas do mundo liberal: mesmo quem duvida de tudo reconhece a força de um dia inteiro dedicado a uma pergunta — quem eu fui, e quem ainda posso ser?
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