Um ano, muitas festas.
Yom quer dizer "dia". É a primeira coisa que recebe nome na Torá: "Deus chamou a luz de Dia" (Bereshít 1:5). Antes de criar qualquer coisa que viva no tempo, Deus cria e nomeia o tempo.
A Criação inteira é contada em sete yamím: seis dias de obra e um em que Deus cessa. E, sendo Bereshít quase um poema, o dia funciona como uma ordem. Nos três primeiros dias, Deus separa e abre espaços. Cada espaço definido nos três primeiros dias encontra algo que o povoe nos três últimos.
No primeiro dia, separa-se a luz da escuridão; no quarto, esse espaço é povoado pelo sol, pela lua e pelas estrelas. No segundo dia, separam-se os céus e as águas; no quinto, eles são preenchidos por aves e peixes. No terceiro dia, surgem a terra seca e as plantas; no sexto, a terra é povoada pelos animais e pela humanidade.
O sete aparece mais de 500 vezes na Bíblia Hebraica. Está na semana, nos sete dias de Pêssach, nas sete semanas até Shavuót, no ano sabático. A origem do costume pode estar nas fases da lua, e existe um possível parentesco com o shapattu babilônico, o dia da lua cheia. O que interessa, porém, é o que a Torá faz com o número. Ela o transforma no ritmo do universo.
O alvo é o sétimo dia: os seis dias existem para chegar ao Shabat. O cessar fica, assim, "embutido na própria estrutura do universo". Não é uma invenção humana nem um prêmio pelo cansaço, e sim uma parte da Criação tão real quanto a luz. Um criador que não pudesse parar estaria preso ao próprio processo (Karl Barth). Quando descansa, Deus mostra que é livre, e nos ensina a ser livres também.
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