Sobre o Projeto Parashá

O Projeto Parashá é um companheiro de estudo da Torá brasileiro. Foi criado para os curiosos que leem o texto, fazem perguntas, percebem relações e acompanham temas que reaparecem e se transformam pelas parashiot.

A leitura semanal organiza sequencialmente a Torá em 54 parashiot. O Projeto Parashá, porém, propõe acrescentar outra possibilidade de leitura: seguir uma palavra, um personagem, um acontecimento ou um conceito através da Torá inteira.

É uma forma de estudar a parashá da semana descobrindo onde os temas que te tocaram aparecem em outras partes da Torá. A proposta é a de uma leitura judaica liberal, aberta ao diálogo entre tradição, pensamento contemporâneo e diferentes formas de interpretação.

A semana é a parashá

É comum procurarmos qual é a parashá da semana.

O Projeto Parashá inverte um pouco essa perspectiva: não é apenas a parashá que pertence à semana, é a semana que pode se desenrolar dentro da parashá.

Quem estuda uma parashá pode voltar a ela, atravessá-la por diferentes caminhos, relacioná-la com outras histórias e deixar que uma palavra encontrada hoje conduza a outra passagem lida semanas, meses ou anos atrás.

Para isso foram desenvolvidas duas formas de visualização.

A primeira, é uma roda com o ciclo das 54 parashiot. Ela permite a visão como um único ciclo e perceber relações entre partes distantes da Torá. É possível aproximar a visualização até chegar aos capítulos e versículos e acompanhar a presença de um tema ao longo do texto.

A segunda, narrativa, organiza a Torá de forma linear, permitindo localizar um trecho dentro de sua sequência textual e visualizar melhor as divisões que estruturam o texto.

A leitura pelo ano mostra as intersecções entre o calendário das parashiot, o calendário lunissolar hebraico e o calendário solar gregoriano.

As fontes

O texto hebraico utilizado no projeto é o mesmo encontrado na Sefaria. Trata-se da Mikrá al pi haMassorá (MAM), edição digital preparada pelo rabino Avi Kadish a partir do Códice de Alepo. O método da MAM segue a pesquisa do rabino Mordechai Breuer, a mesma que orientou a revisão do texto hebraico do Plaut em 2005. Por isso, o texto e a numeração dos versículos utilizados no Projeto Parashá são os mesmos que você encontra no Sefaria e no seu Chumash Plaut.

Para o mapeamento das raízes consonantais, a MAM foi complementada pelo Open Scriptures Hebrew Bible, um projeto acadêmico aberto.

O projeto também utiliza como referência a organização narrativa do Chumash Plaut, usando sua organização editorial como uma das referências para navegar o texto. Nenhuma tradução ou comentário da obra é reproduzido. A edição referência foi a brasileira, A Torá: Um Comentário Moderno, de W. Gunther Plaut, publicada pela União do Judaísmo Reformista.

As conexões temáticas são selecionadas e revisadas pela equipe do projeto. A busca automática pode ajudar a localizar ocorrências e relações, mas não substitui a leitura e a curadoria.

As datas são calculadas pelo método tradicional do calendário judaico (a partir do molad, a lua nova), seguindo a referência Calendrical Calculations e conferidas ano a ano. O cálculo é próprio, sem depender de serviços externos.

Um projeto independente

O Projeto Parashá é um projeto independente. Não é produzido por uma autoridade judaica, uma sinagoga ou uma instituição.

Ele nasceu da vontade de construir ferramentas de estudo e pesquisa para aqueles que querem estudar a Torá não apenas seguindo sua ordem, mas passeando pelos seus temas, palavras, personagens, acontecimentos e ideias.

E o projeto continua sendo construído.

Por isso, quem usa também pode participar. Você pode apontar um erro, indicar uma fonte, sugerir uma conexão, questionar uma interpretação ou contribuir com a revisão de um texto inteiro.

Afinal, se você estuda a parashá, você também faz parte dessa história.

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Um verbete ou um tema. Em português, transliterado ou hebraico.

Experimente:

Índice

Os verbetes, por seção.

Roteiros de estudo

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Parashá

Toque na fita ou na roda

Na parashá, aparece o resumo; na seção do Plaut, o trecho; no capítulo ou no versículo, o texto em hebraico e em inglês, com as palavras dos temas coloridas.

O ciclo do ano

Texto e contagens: Mikrá al pi haMassorá (MAM), Hebrew Wikisource, CC BY-SA 4.0, na numeração do Sefaria. Raízes das palavras: Open Scriptures Hebrew Bible, CC BY 4.0. Referência das seções narrativas: A Torá: Um Comentário Moderno (Chumash do W. Gunther Plaut, editada pela UJR no Brasil).

Parashiot

As 54 parashiot, livro a livro.

Para a psique judaica, as narrativas da Torá não são apenas histórias sobre um passado distante. Elas constituem um campo permanente de interpretação: seus personagens, acontecimentos e imagens continuam sendo relidos à luz de novas perguntas e experiências.

Calendário

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Festas da Torá Tanach e Talmud Rosh Chódesh Jejuns Datas civis Shabat
Ciclo da Parashá – —
as 54 parashiot · em destaque, o mês acima
Calendário Lunissolar
os meses hebraicos e os civis lado a lado, com as parashiot e as festas
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Tefilá e Brachot

A tefilá (plural tefilot) e as brachot (singular brachá) ocupam hoje um lugar central na prática judaica. No entanto, é importante distinguir a liturgia judaica tal como a conhecemos atualmente dos textos e práticas descritos na Torá. O mundo narrado pela Torá é, em grande parte, o mundo do Mishkan e, posteriormente, do Templo, no qual o culto a Deus estava profundamente relacionado aos sacrifícios e ao serviço sacerdotal.

A Torá, portanto, apesar de conter mandamentos de bendizer, abençoar a Deus, não apresenta o sistema de brachot que conhecemos hoje, com fórmulas fixas e classificações. Assim como não traz um sistema de orações diárias com a estrutura, os horários e os textos fixos encontrados no sidur.

Ao mesmo tempo, a própria Torá apresenta numerosas situações em que seres humanos se dirigem a Deus: pedem, agradecem, questionam, intercedem, lamentam-se e conversam. Assim, embora a Torá não apresente a tefilá como um sistema organizado, ela oferece muitos dos textos, imagens e modelos de relação com Deus que posteriormente seriam incorporados à tradição da oração.

Algumas tefilot utilizadas atualmente contêm textos extraídos diretamente da Torá. O Shemá Israel, por exemplo, reúne três passagens da Torá; a Bircat Cohanim corresponde ao texto de Números 6:24–26; e Ma Tovu utiliza as palavras de Balaão em Números 24:5. O Kiddush de Shabat também incorpora o relato da conclusão da Criação e da santificação do sétimo dia, em Gênesis. Nesses casos, não se trata de textos que tenham sido originalmente escritos como partes de um sidur, mas de passagens da Torá que foram posteriormente integradas à liturgia.

Há também mandamentos da própria Torá relacionados à recitação ou à bênção. O Shemá, por exemplo, determina que suas palavras sejam pronunciadas "quando te deitares e quando te levantares"; e Deuteronômio 8:10 ordena que, depois de comer e se fartar, se bendiga o Eterno. A própria obrigação de dirigir-se a Deus em oração também foi compreendida pelos sábios como tendo fundamento na Torá, embora a forma concreta, os horários e a estrutura das tefilot tenham sido desenvolvidos pela tradição rabínica.

A liturgia judaica que conhecemos hoje, portanto, resulta de um longo processo histórico e religioso. Após a destruição do Segundo Templo, em 70 EC, a oração assumiu uma importância ainda maior como forma de serviço a Deus, e os sábios estruturaram progressivamente as tefilot comunitárias, seus horários e seus textos. A Amidá, o Shemá dentro da ordem litúrgica, as bênçãos que acompanham diferentes momentos do dia e muitas outras partes do sidur pertencem a essa tradição rabínica em desenvolvimento.

A tefilá

A oração diária

Bênçãos

Formas e costumes